Um dos instrumentos
Consórcio, quando ele é a resposta
Ele aparece nas situações de compra planejada, e é o instrumento que eu executo diretamente. Como é também o mais mal explicado do mercado, aqui vai o que ele é — antes de qualquer conversa.
Consórcio é rateio entre os participantes de um grupo, sem juros de financiamento. A diferença que mais custa caro quando é ignorada: o crédito só chega depois da contemplação, que acontece por sorteio ou por lance e depende de haver recursos no grupo. No financiamento o crédito chega de imediato e o juro começa a correr junto. Enquanto a contemplação não vem, o dinheiro não fica disponível a quem participa — e comparar os dois só pelo percentual esconde exatamente isso.
Existe taxa de administração, pode haver fundo de reserva e seguro, e o valor do crédito é corrigido por um índice previsto em contrato. O que ele organiza é a disciplina de juntar com destino: cada parcela existe para virar um bem determinado, não um saldo que rende.
- Isso é golpe?
- Consórcio é regido pela Lei 11.795/2008 e a administração dos grupos é supervisionada pelo Banco Central. Isso é fato e pode ser verificado. O que essa supervisão não significa: que exista rendimento prometido ou garantia de resultado — ela trata de como o grupo é administrado.
- E se eu nunca for contemplado?
- A contemplação acontece por sorteio ou por lance, e está condicionada a haver recursos suficientes no grupo. Ninguém pode prometer data, prazo ou probabilidade — nem em números, nem em "costuma sair por volta de". É por isso que este instrumento serve para compra planejada, não para necessidade imediata.
- A taxa não é cara?
- Existe taxa de administração, e conforme o plano pode haver fundo de reserva e seguro. "Caro" só quer dizer alguma coisa contra alguma coisa: o número que importa é o custo total do plano comparado ao custo total do caminho alternativo, no seu caso concreto. Esse número aparece na análise, com o cálculo aberto — não numa página.
- Prefiro financiar e ter agora.
- Então financie. Se a necessidade é imediata, o consórcio não é o caminho, e eu não vou tentar convencer do contrário. O que vale checar é se a urgência é real ou se virou hábito de decidir em cima da hora.
- Prefiro deixar o dinheiro rendendo.
- São coisas diferentes, e a comparação honesta não é de rendimento. Juntar por conta própria depende de disciplina que quase ninguém sustenta por anos, e o preço do bem não espera o seu saldo alcançar. Aqui o dinheiro não fica disponível a você enquanto a contemplação não vem, e não há rendimento para quem participa — o que se compra é a disciplina e o acesso, com o custo à vista. Qual dos dois serve depende de quanto tempo você tem e do que o bem deixa de custar quando chega antes.
- Se eu desistir, recebo tudo de volta?
- Não. A restituição é calculada com base no percentual amortizado do valor do bem vigente, e não é devolução integral nem imediata do que foi pago. Quem disser o contrário está errado, e é uma das primeiras coisas que eu abro numa conversa.
- Contemplado é carta na mão?
- Não. Depois da contemplação ainda há análise de crédito e garantias antes de o crédito ser colocado à disposição. Tratar contemplação como dinheiro liberado é a origem de boa parte da frustração com o produto.
- Posso usar o crédito para o que eu quiser?
- Não. O crédito serve para adquirir o bem ou serviço da linha contratada, ou para quitar integralmente um financiamento seu da mesma categoria. Quitação parcial não é possível, e categoria diferente também não.